Religião

A religião como ferramenta de Gestão

Posted by Raphael Roale on setembro 25, 2008
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Qual a influência da religião no Homem contemporâneo? Existe um paralelo entre Gestão e Religião? São perguntas e temas que parecem não ter a menor relação. Mas quando o primeiro homem se questionou “de onde vim?”, e como isso aconteceu muito antes do homem atingir a ciência, o que respondeu suas questões fundamentais foi o mito e o misticismo. Depois de alguma evolução de sociedade, esses mitos ganharam forma, nomes, cores. E finalmente, num estágio pré-civilização, ocorreram as especializações: antes todos agricultores, agora soldados, e claro, sacerdotes. Assim, finalmente, surge a “religião”, quando os mitos e o misticismo ganham um intérprete e um local próprio na sociedade primitiva.

A Religião na verdade é um processo de relação entre o Homem e os poderes por ele considerados sobre-humanos, estabelecendo-se uma dependência ou uma relação de dependência. Essa relação se apresenta através de emoções – como confiança e medo – e através de ações (cultos ou atividades, ritos ou reuniões e festividades). A Religião é a expressão que a mente humana registra a sua relação com o inatingível e mostra a sua convicção nos poderes que lhes são transcendentes.

Já um sistema religioso é um conjunto de elementos que expressem Religião. Todo e qualquer sistema que contenha elementos de Religião, é um sistema religioso. Livros (Bíblia), personagens (santos) e objetos (cruzes) podem ser elementos e fontes religiosas, mas não necessariamente gerar uma religiosidade – que é a tendência individual para seguir a própria religião ou integrar-se ao sagrado. O estudo destas religiões acaba por nos faz entender e conhecer uma gama de crenças, ritos e lendas que mostram quão heterogêneo pode ser um ambiente social. Lidar com pessoas no ambiente de trabalho e, mais ainda, liderar um time com características díspares requer habilidades que podem ser adquiridas também com o estudo das religiões e ajudar na Gestão.

O Homem Moderno

A humanidade passa por um momento único, de reflexão e busca de sua própria continuação como espécie. Daí a importância de perceber as diferenças individuais e buscar a tolerância entre crenças e a procura da fraternidade. A intolerância se mostrou um poderoso veículo de segregação principalmente quando aliado a questões religiosas. Tal princípio deve ser também utilizado nas relações comerciais e corporativas.

Isto posto, vejo que a modernidade e a religião são intimamente ligadas e não excludentes, mesmo com algumas controvérsias: apesar do homem moderno buscar respostas e teorias concretas baseadas na ciência, é neste conflito que a religião – através da diversidade de mitos e crenças – apoia tais descobertas quando apresenta novas perspectivas de visão. Mesmo assim, é certo que a religião deixou de ser o motor que estrutura a vida social e individual, mas provavelmente a secularização – onde a religião deixa de ser o aspecto cultural agregador da sociedade – não acaba com a religião e sim transforma o seu papel na sociedade: é a vitória da razão sobre os mitos. Contudo, o que predomina é a livre religiosidade, não a instituição religiosa.

O Futuro

O contexto histórico atual está ligado aos ideais de uma cultura mundial interativa, interconectada, globalizada que cria uma realidade nova em que se está chamando de sociedade da informação ou do conhecimento. Em outras palavras, a existência de uma sociedade em rede com dimensões mundiais, na qual o conhecimento e a informação tornaram-se o capital principal – a explosão da informação, a multiplicação e diversificação das formas de saber e conhecer.

Ou seja, mesmo a razão prevalecendo sobre a religiosidade, assistimos a queda vertiginosa da certeza dos homens. Questionamos hoje todas as verdades universais, os valores comuns à sociedade, a razão como forma efetivamente segura do conhecimento. Nos apoiamos hoje no caos, no relativismo, no simbólico. Por ser o mundo complexo demais para ser enquadrado em qualquer teoria da totalidade, acaba por ser também uma ilusão tentar compreender este mundo de forma racional.

Desta forma, a religião – calcada no divino, no sagrado, no metafísico e que abriga conceitos universais de fé – deve transcender as questões individuais e buscar os princípios éticos que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano.

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